sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pela eternidade afora...

Porque hoje foi um dia estranho. Uma semana estranha. Quiçá, um mês estranho. Dias perdidos e ganhos por coisas mínimas. Vontade de fazer nada. E foi exatamente e incontestadamente o que fiz. Nada. Aliás, fiz. Chorei. Mas que se saiba desde já que não foi por ser chorona.

Chorei porque acreditei que tudo estava incontestavelmente perdido. Irremediavelmente dolorido.

Tenho muita resistência à dor. Principalmente dor física. Não acho quase nada dolorido demais a ponto de ser insuportável fisicamente falando. Não consigo, por exemplo, encontrar incômodo em 21 agulhas por segundo me furando por querer fazer tatuagem. Não sei se meu cérebro é tão lerdo que esquece de processar a dor ou se é tão rápido que passa reto por esse processo de ter que doer e pensa logo em como vai ficar no final.

Sou assim também com dores emocionais. Mas no caso delas, funciona um pouquinho diferente. Não sei se meu cérebro é lerdo demais a ponto de pensar que pessoas falam coisas sem querer ofender, ou rápido demais a ponto de achar que ninguém faz nada de propósito. Mas nesse caso a velocidade do meu cérebro é tamanha que o meu pensamento, em vez de sair pela boca, desce pela goela, para no peito e esmaga meu coração. E é nessas horas que eu choro.

Chorar deve ser bom. Se não é, pelo menos traz alívio. E alívio com certeza é bom.

Porisso, aliviada, parei de chorar. Não porque tudo está bem. Mas porque neste momento, neste exato momento em que aqui escrevo, tudo está bom.

E na estranheza desses dias, sempre digo que nada acontece por acaso. Tudo tem um propósito, uma razão de ser e acontecer. Acredito no destino. Se chorei, foi porque eu tinha que chorar. Se parei, é porque já estava na hora de parar.

E levando a minha crença pelo lado da lógica, se tudo é obra de destino, então está escrito. E se está escrito, e não se pode apagar, jogar fora, nem mesmo amassar, então é eterno.

Gosto de eternidades. Lógico que existem aquelas que a gente prefere esquecer. Mas também tem aquelas que a gente gosta de lembrar, relembrar, remexer, só pra não esquecer o gosto que tem.

Gosto muito das mudanças. Mas amo o eterno. Amo porque diz respeito a tudo aquilo que eu tive, que eu tenho. São coisas que posso sentir. Às vezes, até mesmo tocar.

Mais não deixo de gostar da mudança. Aceitando ou não, toda mudança é válida porque vai produzindo toda minha história, que pelo menos pra mim será eterna. E logo, o que foi mudado também passará a ser amado.

Não prometo amar tudo. Pra mim gostar de tudo é sintoma de hipocrisia. A menos que esteja alheia a tudo, uma pessoa não consegue gostar de todas as coisas. Mas prometo pelo menos menos amar muito as boas eternidades e guardá-las em seu devido lugar.

E eternamente as amarei. Porque tudo aquilo que é eterno, pode ir e voltar. Mas continuará sempre na sua condição de eternidade. E de uma forma ou de outra, na presença ou na lembrança, estará sempre comigo. E eternamente será meu, mesmo que não seja.