Venho uma vida toda (pelo menos desde que eu me lembre) devorando hipóteses. Na minha mente planejo tudo hipotéticamente, desde um simples "será?" até mesmo uma conversa interminável sobre um assunto importante. Tudo sempre primeiramente calculado dentro das hipóteses possíveis.
Claro que às vezes (a MAIORIA das vezes) existe uma segunda e talvez até uma terceira pessoa envolvida na questão, e aí é que a coisa fode toda. Sim, porque fazer cálculos próprios é moleza, a gente nunca foge dos roteiros programados. Mas, por mais zilhões de hipóteses que eu possa planejar, a infeliz da pessoa SEMPRE fala ou faz justamente aquilo que eu não previa. E não tem na vida nada mais frustrante que isso.
Mas não importa. Gosto das minhas hipóteses. Gosto porque são apenas hipóteses. Situações hipotéticas são deliciosas. Posso fazê-las ou não. Posso programar e desistir. Posso fazer o que eu bem entender delas, porque são as únicas coisas que eu consigo controlar nessa vida altamente descontrolada. E são minhas.
E assim eu vou levando, devorando tudo pela frente, fazendo contas malucas de coisas absurdas que para outros seriam bobagens ou até mesmo sandices, mas que pra mim são perfeitamente plausíveis. Mesmo que impossíveis. Mesmo que possíveis, porém inalcançáveis. Mesmo que alcançáveis e possíveis, mas totalmente improváveis. Eu faço do meu jeito, mas cada um é livre pra criar as suas próprias hipóteses (e lhes garanto, meus caros: são excepcionalmente melhores que as expectativas!)
Construir hipóteses é quase como viver várias vezes a mesma coisa, pra saber qual é a melhor parte da vida. Minha vida pode nem sempre ser tão boa, mas também não é feita só de tristezas. Tenho alegrias e temores hipotéticos e reais, e algumas vezes a hipótese não acontecida, ainda que ruim, é infinitamente pior do que o que realmente aconteceu, mesmo que tenha saío melhor que o esperado.
E não porque não aconteceu. Mas porque eu devorei com tanto gosto, saboreei tantas vezes, degustei cada nota daquela hipótese, que mesmo ruim, me parecia muito íntima de mim mesma, muito conhecida... E ela não aconteceu. Resultado: Frustração. Óbvio.
Mesmo assim, continuo levando a vida nessa hipotética forma, porque me sinto melhor. Porque frustração é sempre melhor que decepção. Uma hipotética pode 'parecer' uma realidade, mas como ainda não é, vem a frutração e, na sua condição de passageira, logo se vai. O que mata é a expectativa, sempre decepcionando quem a coleciona. É preciso não confundir... quando você coloca a idéia em forma de hipótese que dizer exatamente o que ela é: uma HIPÓTESE. Pode acontecer ou não. E esse é o ruim da expectativa, porque nela você tem certezas, somente espera quando irão acontecer e quando elas não aparecem.... BUM! e é fato, as malditas quase sempre não são correspondidas, e isso é um saco.
Sim, também crio expectativas, porque apesar de tudo não sou de ferro. Mas continuo sendo uma exímia devoradora de hipóteses.
E bum ... vem a frustração.
ResponderExcluirÉ amiga eu sei o que é isso, e o pior é quando criamos expectativas em "certas" pessoas, idealizamos, sonhamos, almejamos, ou seja, expectativas. Afinal depois de um determinado tempo nós vemos que nada daquilo era real, era apenas a imaginação indo longe demais e projetando um ser que nunca existiu. Sem sombra de dúvidas as piores expectativas minhas foram com pessoas, afinal o resto nós podemos até reformular, reprogramar, mas o bendito do ser humano é totalmente imprevisível.
Post novo lido e pensando do lado de cá também ;)
Beijos Pri
Bom, que bom que meu post conseguiu fazer alguém refletir... Comece a pensar em criar hipóteses, ao invés de expectativas. Pessoas são extremamente cruéis, pouco confiáveis e NUNCA correspondem àquilo que idealizamos. E o pior: a culpa nunca é delas. Que sabe assim a vida fica mais leve né?
ResponderExcluirLya Luft já dizia: pensar é transgredir. Criar expectativas também o é; por vezes, tão cruéis que nos fazem de nós mesmos mais algozes que nossos algozes. A expectativa nos cobra, nos aprisiona e algema a uma única alternativa: fazer o resultado esperado acontecer. A hipótese, no entanto, é libertadora mais que libertária... nos dá alento, ânimo, nos dá a possibilidade de percorrer o caminho, dar mil passos, retroceder milhas, sem nunca sair do lugar; sem jamais dar um só passo. Crio meu caminho sem cobrar nada de ninguém; sem da vida expectar coisa alguma... Vale mais viver um sonho em detrimento da realidade que purgar nossa alma até a exasperação por uma expectativa talvez jamais justa, talvez jamais possível de atingir...
ResponderExcluirVale, dizer, sem mais delongas: “no mínimo, sempre é prazeroso ler uma ideologia que não se faz apenas “paradoxal”, mas que é em essência mais anversa que a própria face do que não é ortodoxo... é livre, leve e tem essência... isso é o que é ler você... é o que é possível ver em você”... e, de mais a mais, você consegue fazer de vãs palavras surgir um degrade que vai do agridoce ao inesperado... Parabéns, uma vez mais... sensacional!
Ok, fiquei com vergonha agora...
ResponderExcluir#mimimi
É uma teoria interessante. O fato de se ter controle suficiente para que se domine o ato de fazer cálculos para futuros planos é algo que não se encontra em pessoas cotidianas. Pessoas sempre agem antes de pensar, quando pensam.
ResponderExcluirExiste um problema sobre as hipóteses e análises de situações, a frustração pre-evento. Nesse caso, o grande problema é que não se tem como dominar esse tipo de teoria, porque os fatores sempre são muitos, alguns imperceptíveis.
Já fiz coisas do tipo. Hoje eu prefiro ser mais prático, porque gerar hipóteses fazem voce desistir de um desafio, sendo que elas poderiam estar erradas, e o desafio um sucesso.
Mas com certeza, isso não é pra qualquer um =)
Certíssimo, Sr Hell!!! Só discordo da parte de desistir do desafio... Fazer cálculos para obter a melhor hipótese estimula, pelo menos pra mim, a fazer com que a hipótese troque de condição.
ResponderExcluirE frustrações pré-evento... Desconheço. Sou apenas uma frustrada normal, daquelas que espera a frustração pra poder degustar melhor e tomar vergonha na cara.
Mas muito interessante a sua teoria!!!! Deve ser de família ;)
Hahahahaha
Bjão
Aham, eu entendo.
ResponderExcluirTalvez seja a ótica na formação das hipóteses e planos. Eu tenho humor diferente do teu. Pra você pode ser melhor assim mesmo, parece bem aplicado.
Mas eu estou numa fase que preciso agir muito ao invés de pensar. No meu caso é mais produtivo.
É uma diferença de perspectiva